Laudo aponta irregularidades em maternidade de Cascavel
sexta-feira, 3 de maio de 2013O laudo da vistoria feita no fim de abril no Hospital e Maternidade Santa Catarina, em Cascavel, no oeste do Estado do Paraná, revelou 147 irregularidades. As falhas apontadas pela Vigilância Sanitária esta semana vão desde a falta de medicamentos e de autorização dos bombeiros até a sujeira em várias alas. Apesar dos vários problemas, o estabelecimento conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS) não foi impedido de funcionar.
Na Unidade de Terapia Intensiva, por exemplo, os fiscais encontraram medicamentos abertos e sem data de validade, fiação elétrica exposta, infiltrações e falta de chuveiro nos vestiários. No centro cirúrgico, os equipamentos estão corroídos e enferrujados, há sujeira e número menor de macas que o necessário. O relatório aponta ainda falta de projeto de proteção contra raio-X.
Por causa da série de problemas, a licença sanitária do hospital na cidade de Cascavel, que venceu em abril, não foi renovada. Mas, apesar das irregularidades, não foi interditado e continua funcionando. Funcionários afirmam que novos pacientes vêm sendo internados desde 29 de abril. A denúncia é comprovada pela data dos prontuários. Além disso, empregados de uma empresa de análises clínicas foram flagrados saindo do hospital com amostras colhidas para exames de biópsia.
Greve
Em greve há mais de 60 dias, os funcionários devem usar o relatório da Vigilância Sanitária para acionar o Ministério Público e impedir que o hospital continue internando pacientes e realizando cirurgias. “É um caso de saúde pública. Agora cabe ao promotor tomar providência. Essa situação já virou um caso de polícia”, apontou a presidente do Sindicato da Saúde de Cascavel, Dalva Maria Seltzer.
O advogado do hospital, Antônio Sakura, disse que a reportagem que as irregularidades encontradas são poucas e que estão passando por adequações. “A maioria desses problemas são coisinhas de pequena significância encontradas em partes que estão desativadas e que não impedem o funcionamento. Nenhum hospital no mundo obedece totalmente as normas. Elas mudam constantemente e serão atendidas na medida do possível.”
Já a Vigilância Sanitária do Município, que só deve se pronunciar à tarde, adiantou que a decisão de interditar o hospital cabe ao MP, cujos representantes não haviam sido localizados até a publicação desta reportagem.
Fonte: G1